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O que é a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) e qual a sua importância

Se você se interessa por tecnologia e inovação para a área biomédica ou já foi responsável pela gestão de algum estabelecimento público ou privado em saúde já deve ter ouvido falar sobre o que é a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS). Neste artigo, vamos esclarecer o que é exatamente a ATS, para que serve e qual a sua importância no cenário nacional.


Primeiramente, o que são tecnologias em saúde?

Tecnologias em saúde são “todas as formas de conhecimento que podem ser aplicadas para a solução ou a redução dos problemas de saúde de indivíduos ou populações” (PANE-RAI; PEÑA-MOHR, 1989). Portanto, vão além dos medicamentos, equipamentos e procedimentos usados na assistência à saúde.

FONTE: Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVSMS).


Quando se fala em Tecnologia em Saúde (TS), logo se pensa em dispositivos eletrônicos e em sistemas computacionais. De fato, essas ferramentas são TSs, mas não exclusivamente. Na figura 1, é possível observar como as tecnologias em saúde são classificadas.

Figura 1: Esquema da classificação das tecnologias em saúde


E como é o ciclo de vida das tecnologias em saúde?


Figura 2: ciclo de vida das tecnologias em saúde

A inovação e tecnologia na área de saúde acompanha o desenvolvimento das ciências biomédicas de maneira contínua, e por isso as tecnologias em saúde possuem um ciclo de vida. Na Figura 2, é possível observar que a utilização em larga escala é seguida do abandono.


Embora muitas tecnologias resistam ao abandono, permanecendo no mercado por muito tempo mesmo que com produção em larga escala, muitas são descartadas devido à obsolescência programada. Ou seja: sua saída do mercado é "forçada" pelas empresas, muitas vezes por conta de incrementos que aumentarão a lucratividade ou a aceitação do produto.


Bom, agora que já sabemos o que são tecnologias em saúde e como é o seu ciclo de vida, vamos falar um pouco sobre a ATS.


Afinal, o que é a avaliação das tecnologias em saúde?


De maneira geral, a ATS trata-se da realização de estudos, que podem seguir diferentes metodologias, com o objetivo de apoiar a tomada de decisões ligadas à adoção de novas tecnologias em saúde. Por exemplo, a ATS é fundamental na aquisição de equipamentos em um estabelecimento de saúde, pois permite verificar de maneira objetiva e empírica a vantagem de adquirir um novo dispositivo.

O principal desafio que motiva um gestor a fazer uma ATS está atrelado aos enormes avanços tecnológicos da era digital: o influxo constante de novas tecnologias e melhoramentos no que já existe faz com que seja cada vez mais difícil fornecer aos pacientes as melhores soluções para seus problemas. Além disso, o fato de a população ter cada vez mais acesso à informação faz com que surjam pressões para que as novas tecnologias sejam adotadas tanto na rede privada quanto na pública.

Contudo, poucas tecnologias demonstraram-se respostas definitivas para um problema de saúde, tendo-se que haver constante atualização dos gestores em saúde


Quais parâmetros devem ser avaliados na ATS?


  1. Eficácia: qual a probabilidade de que indivíduos se beneficiem do uso dessa tecnologia em condições ideais de uso?

  2. Efetividade: qual a probabilidade de que indivíduos se beneficiem do uso dessa tecnologia em condições normais de uso?

  3. Risco: qual a probabilidade de um efeito adverso ou indesejado e a gravidade desse efeito à saúde de indivíduos em uma dada população?

  4. Segurança: qual o risco aceitável em uma situação específica?

  5. Custos: custo (de oportunidade) em saúde é o valor da melhor alternativa não concretizada em consequência de se utilizarem recursos escassos na produção de um dado bem e ou serviço.

  6. Impacto social, ético e legal: quais os outros impactos, além dos relacionados à eficácia/efetividade, segurança e custos? Quais os efeitos para a sociedade?


Quais etapas são geralmente seguidas na ATS?


  1. Identificar as tecnologias candidatas e estabelecer as prioritárias

  2. Especificar o problema a ser avaliado

  3. Determinar o cenário da avaliação

  4. Recuperar a evidência disponível

  5. Obter novos dados primários (se necessário)

  6. Interpretar a evidência disponível

  7. Sintetizar a evidência

  8. Apresentar os resultados e formular as recomendações

  9. Disseminar os resultados das recomendações

  10. Monitorar o impacto.

E quais os métodos utilizados para a ATS?


De acordo com conceitos de metodologia científica, os tipos de estudos que podem ser utilizados para validar uma hipótese seguem uma escala hierárquica relacionada à qualidade metodológica. Na Figura 3, é possível observar esta escala, na qual os dois tipos de estudo de maior habilidade para demonstrar causa e efeito em humanos e controlas vieses são as revisões sistemáticas/meta-análises e os estudos controlados randomizados. Esses são os estudos ideais a serem realizados para a aquisição de tecnologias em saúde, mas o fato é que a maioria dos estudos realizados são de nível inferior. Contudo, esses estudos em escala inferior podem ser mais massivamente reproduzidos e trazer resultados que possam ser processados em revisões sistemáticas, otimizando a qualidade de uma ATS.


Figura 3: metodologias científicas em escala hierárquica


Referências

  • Biblioteca Virtual de Saúde do Ministério da Saúde

  • RODRIGUES JUNIOR, S. A. (2016) Elementos contribuintes para a aplicação da Odontologia baseada em evidências: parte I. RFO, Passo Fundo, v. 21, n. 2, p. 271-277, maio/ago. 2016

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Empresa Júnior de Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Pernambuco